CEPE realiza reunião sobre ações afirmativas na UENP

Quarta, 17 Maio 2017 15:09 por Assessoria de Comunicação Social

Na quarta-feira (10/05), o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE), da Universidade Estadual do Norte do Paraná, realizou reunião extraordinária com objetivo formativo e informativo sobre o tema das Ações Afirmativas na UENP. A reunião, presidida pela reitora Fátima Aparecida da Cruz Padoan, contou com a participação dos professores Jairo Pacheco, Maria Nilza e Angela Maria, da Universidade Estadual de Londrina (UEL).

Durante os trabalhos, o professor Jairo, que foi um dos principais responsáveis por implantar a política de cotas raciais e sociais na UEL, falou sobre a importância das ações afirmativas para a universidade. Profundo pesquisador sobre o tema, ele acentuou, durante a fala, que nas instituições públicas, dois terços dos alunos são de classe média baixa. “Quando você realiza as cotas, não altera substancialmente esse perfil, mas distribui os alunos nas vagas dos cursos mais concorridos”, pontuou. Refletindo sobre as desigualdades sociais, Jairo acentuou que “Não há injustiça maior do que tratar de forma igual aqueles que estão em posição desigual na sociedade, diria Rui Barbosa”.

Ao comentar que pessoas de classes sociais diferentes percorrem percursos diferentes até chegar ao vestibular, Jairo indagou sobre “O que medimos com o vestibular? Só as notas, pois nós não sabemos o que há de capacidade e potencial nas trajetórias que chegaram até essas notas. Os vestibulares só servem para dizer quem não entra”, disse. Ainda durante a fala, Jairo ressaltou que para se fazer uma política de inclusão, há a necessidade também de uma forte política de assistência. “Seria muito desejável que a gente tivesse a possibilidade de fazer as duas coisas juntas. Mas se a gente fosse esperar as condições ideais de orçamento, de pessoal, de capacitação, a gente teria de ter esperado mais algumas décadas para criar a UENP. Eu acho que a gente não deve se acomodar a isso, temos de buscar aprimorar as condições para tudo”, pontuou.

O vice-reitor Fabiano Fabiano Gonçalves Costa apresentou, durante a reunião, parte do Relatório das Políticas de Ações Afirmativas da UENP. Ele começou a apresentação fazendo uma leitura da nova missão e visão da UENP, destacando a palavra inclusivo contida nos dois textos. “Se a UENP pretende, mais do que palavras na sua missão e na sua visão, realizar de fato a inclusão, temos de ter ações efetivas para concretizar isso”. Fabiano apresentou ainda dados da realidade atual da UENP como a distribuição desigual dos alunos autodeclarados negros nos cursos de graduação da Universidade. “Esperamos que a implantação de reserva de vagas para alunos oriundos de escola pública e negros, contribua para a inserção destes em todos os cursos de graduação, contribuindo para a democracia e para a igualdade de acesso em todos os cursos da Universidade”.

A professora Angela Maria partilhou a alegria de fazer parte desse momento construído pela Universidade. “Esse é um momento histórico para UENP, e eu me sinto muito feliz por participar. Esse Conselho será lembrado por institucionalizar a democratização de vagas para fazer com que essa Universidade tenha mais a cara da sociedade brasileira, em que mais de 50% são negros, em que mais de 70% ganham até de dois salários mínimos e meio”. Refletindo sobre a questão do racismo, a professora Maria Nilza destacou que quando se fala nesse assunto, pressupõe-se, e muitas pessoas pensam, que há raças diferentes. “Não temos raças diferentes. Temos somente uma raça que é a raça humana. Mas esse olhar vem a partir de uma construção social”, acentuou.

A reitora Fátima Aparecida da Cruz Padoan salientou que tem total consciência de todos os desafios que virão, se houver aprovação de cotas pelo Conselho. “Eu não tenho ilusão de que será fácil, mas se houver a implantação, nós poderemos buscar recursos para subsidiar a permanência dos estudantes, ter acesso a bolsas de inclusão social, participar de editais de fomento”, destacou. “Somos favoráveis as ações afirmativas e chegamos a essa conclusão depois de verificar tudo isso que vemos na universidade e que o Relatório das Ações Afirmativas e a nossa realidade nos mostram”, frisou.

Última modificação: Terça, 13 Junho 2017 11:56